Projeto foi
aprovado por unanimidade durante Sessão Extraordinária, após amplo debate sobre
localização do terreno, condições da área, infraestrutura e risco de perda dos
recursos estaduais
A
Câmara de Vereadores de Putinga aprovou por unanimidade, durante Sessão
Extraordinária realizada na terça-feira, 11 de agosto, o
Projeto de Lei Executivo nº 076/2026, que autoriza a abertura de crédito
especial de R$ 1,5 milhão para aquisição, mediante
desapropriação, de uma área urbana destinada à implantação de políticas
habitacionais de interesse social no município.
O
projeto retornou ao plenário após ter recebido pedido de vistas da vereadora
Elsa Zanuzzo Casagrande durante a Sessão Ordinária do dia 4 de agosto. Na
Sessão Extraordinária, a proposta gerou amplo debate, principalmente em relação
à localização da área escolhida, às características do terreno, aos
investimentos futuros em infraestrutura e à possibilidade de perda dos recursos
caso a aquisição não fosse viabilizada.
Ao
final das manifestações, apesar das ponderações e questionamentos, todos
os vereadores presentes votaram favoravelmente ao projeto.
O
Projeto de Lei nº 076/2026 autoriza a inclusão de ação e objetivo no Plano
Plurianual (PPA) e na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), além da abertura
de crédito especial no orçamento municipal.
Conforme
a justificativa encaminhada pelo Poder Executivo, o Município de Putinga
celebrou com o Estado do Rio Grande do Sul, por intermédio da Secretaria de
Habitação e Regularização Fundiária, o Convênio FPE nº 2339/2026,
com recursos do Fundo do Plano Rio Grande (FUNRIGS), no âmbito do Programa A
Casa é Sua – Calamidade.
O
valor de R$ 1,5 milhão foi destinado especificamente à
desapropriação de parte de um imóvel com área aproximada de 25.053,20
metros quadrados, destinada à implantação de loteamento de interesse
social. Conforme a justificativa do projeto, a aquisição será integralmente
custeada com recursos estaduais, sem contrapartida financeira do Município.
Embora
o projeto tenha sido aprovado por unanimidade, as manifestações em plenário
demonstraram preocupação dos vereadores em relação à área indicada.
O
vice-presidente Everton Graffitti afirmou que o assunto gerou
discussões na cidade e entre os parlamentares. Segundo ele, foram buscadas
informações sobre a possibilidade de utilização de outra área, mas o
entendimento repassado foi de que o recurso estaria vinculado ao terreno
indicado.
Everton
solicitou ainda que constasse em ata que os vereadores haviam requerido ao
Executivo informações sobre um estudo das condições do solo,
diante da presença de rochas na área, mas não obtiveram retorno até a
realização da sessão. Apesar da preocupação, justificou o voto favorável diante
do risco de perda dos R$ 1,5 milhão.
O
vereador Ronaldo Mânica Ramos também destacou as discussões
provocadas pelo projeto e as cobranças recebidas da população. Reconheceu que a
localização pode não ser considerada ideal por parte da comunidade, mas
ponderou que rejeitar a proposta poderia colocar em risco os recursos e,
consequentemente, a implantação das moradias.
A
vereadora Elsa Zanuzzo Casagrande, que havia solicitado vistas
na sessão anterior, explicou que utilizou uma prerrogativa do vereador diante
das dúvidas existentes sobre a proposta. Ela relatou ter sido procurada por
diversas pessoas, tanto por moradores contrários à localização quanto por
famílias preocupadas em conseguir uma moradia.
Para
Elsa, as manifestações recebidas demonstraram a complexidade da decisão e
justificaram a necessidade de mais tempo para analisar o projeto antes da
votação.
O
vereador Sandrei Camilotti também apresentou questionamentos
sobre a definição da área e defendeu que outras possibilidades poderiam ter
sido avaliadas. Durante o debate, estiveram entre as preocupações dos
parlamentares as condições para implantação do empreendimento e os futuros investimentos
em infraestrutura.
O
vereador João Vilson Ebertz manifestou voto favorável e
direcionou sua fala especialmente às famílias que enfrentam dificuldades para
pagar aluguel.
Ao
relatar que também viveu durante muitos anos nessa condição, João Vilson
afirmou compreender a preocupação das pessoas que aguardam uma oportunidade de
conquistar a casa própria. O parlamentar reconheceu que a localização escolhida
pode apresentar dificuldades, mas considerou que isso não seria motivo
suficiente para rejeitar o projeto.
Segundo
ele, diante da possibilidade de viabilizar moradias para quem necessita, seu
posicionamento seria favorável.
“Eu
me coloco no lugar das pessoas que pagam aluguel. Eu paguei aluguel muitos anos
e é difícil chegar ao final do mês e ter que ter o dinheiro do aluguel”,
relatou.
João
Vilson reconheceu que poderão existir desafios em relação ao terreno, mas
reforçou que votaria a favor da proposta por considerar a necessidade das
famílias beneficiadas.
O
vereador Cassiano Luis Spinelli também confirmou voto
favorável, mas fez críticas à forma como a área foi definida.
Cassiano
questionou o fato de o recurso estar direcionado a um terreno específico e
defendeu que o Município deveria ter maior possibilidade de avaliar outras
áreas antes da definição. Para ele, poderiam ter sido cadastradas diferentes
opções de terrenos para posterior escolha daquela que apresentasse melhores
condições.
O
parlamentar também mencionou as preocupações manifestadas por pessoas atingidas
pela calamidade que, segundo relatou, não teriam interesse em morar no local
indicado. Além disso, demonstrou preocupação com possíveis dificuldades futuras
para implantação das moradias.
Apesar
dos questionamentos, Cassiano afirmou que votaria favoravelmente por considerar
a situação das famílias que perderam suas casas e precisam de uma solução
habitacional. Assim como João Vilson, mencionou sua própria experiência e as
dificuldades enfrentadas por quem precisa pagar aluguel.
“Eu
sou a favor porque tem gente que precisa, que perdeu. Eu também sou colono, sou
pobre e sei o que é ficar pagando aluguel”, afirmou.
Cassiano
manifestou a expectativa de que as preocupações em relação à área não se
confirmem e que o empreendimento possa ser implantado adequadamente.
O
vereador Josmairo Marostica fez uma das manifestações mais
críticas em relação à escolha da área. Ressaltou que a Câmara estava
deliberando sobre a abertura do crédito para utilização dos R$ 1,5 milhão e
destacou que a decisão pela desapropriação do imóvel partiu do Poder Executivo.
Josmairo
questionou o valor atribuído à área e chamou atenção para os investimentos que
ainda poderão ser necessários para implantação do loteamento, especialmente em acesso,
água, energia elétrica, esgotamento sanitário e demais estruturas.
O
parlamentar ressaltou ainda que caberá aos nove vereadores fiscalizar as
próximas etapas e acompanhar quanto será investido pelo Município para tornar a
área adequada às futuras moradias. Apesar das críticas, também ponderou sobre a
necessidade das famílias e o risco de perda dos recursos.
A
presidente Sandra Catarina Santin Dalberto ressaltou que os
questionamentos não representavam uma posição contrária ao Poder Executivo e
reconheceu o esforço realizado para obtenção dos recursos. Segundo ela, os
vereadores ouviram a população, buscaram informações e debateram amplamente a
questão antes de chegar à decisão.
A
presidente afirmou que a principal preocupação era não perder os R$ 1,5
milhão destinados a Putinga, sem deixar de considerar as dúvidas
relacionadas à área e à infraestrutura necessária.
Sandra
também lembrou que ainda existem diferentes etapas até a implantação das
moradias e ressaltou que não caberá aos vereadores definir quais famílias serão
contempladas.
“A
gente quebrou muito a cabeça, ouviu muito e está aqui votando favorável para,
pelo menos agora, não perder esse dinheiro”, afirmou.
Após
o debate, o Projeto de Lei Executivo nº 076/2026 foi colocado em votação e aprovado
por unanimidade dos vereadores presentes.
Com
a aprovação legislativa, fica autorizada a inclusão orçamentária necessária
para utilização dos R$ 1,5 milhão destinados à aquisição da área.
Mesmo
com a aprovação unânime, as manifestações deixaram registrado que o Legislativo
deverá acompanhar e fiscalizar as próximas etapas do projeto, especialmente as
condições do terreno, a implantação da infraestrutura e os investimentos
necessários para viabilizar as futuras moradias.
A próxima Sessão
Ordinária da Câmara de Vereadores de Putinga será realizada no dia 18
de agosto.