Legislativo
manifesta preocupação com a crise enfrentada pelos produtores de leite e
defende concorrência justa no setor
A Câmara Municipal de Vereadores de Putinga aprovou,
por unanimidade, a Moção nº 001/2026, que manifesta apoio ao Projeto de Lei nº
412/2025, de autoria do deputado estadual Paparico Bacchi, o qual propõe a
proibição da reconstituição de leite em pó de origem importada para venda como
leite fluido no Estado do Rio Grande do Sul.
O documento destaca que o setor leiteiro é um dos
pilares econômicos e sociais do Rio Grande do Sul, responsável pela geração de
renda e sustentação de milhares de famílias rurais, além de contribuir
diretamente para o desenvolvimento dos municípios.
Segundo o texto da moção, desde a redução da alíquota
de importação do leite em pó, em 2022, houve aumento significativo da entrada
de produto estrangeiro no país a preços inferiores ao custo de produção
nacional, provocando desequilíbrio concorrencial e ameaçando a sobrevivência
dos produtores locais.
A prática de reconstituição do leite em pó importado e
sua comercialização como leite fluido, muitas vezes sem identificação clara de
origem, é apontada como fator que compromete a transparência nas relações de
consumo e induz o consumidor ao erro, além de afetar diretamente a
competitividade do produto local.
O Projeto de Lei nº 412/2025 estabelece a proibição da
reconstituição do leite em pó importado para comercialização como leite fluido
no Estado, prevendo ainda mecanismos de fiscalização, aplicação de penalidades
e destinação de recursos ao Fundo Estadual de Apoio ao Desenvolvimento dos
Pequenos Estabelecimentos Rurais (FEAPER), fortalecendo políticas públicas
voltadas à cadeia produtiva do leite.
Durante a discussão da matéria, vereadores ressaltaram
a gravidade da situação enfrentada pelos produtores. O vereador Everton Graffitti
destacou a inviabilidade econômica da atividade leiteira. Segundo ele,
produtores estão trabalhando praticamente sem margem de lucro. “Hoje estamos
pagando para trabalhar. Tem produtor com custo de R$ 1,85 por litro e recebendo
R$ 1,86. Isso não se sustenta. Vai quebrar os produtores de leite”, afirmou,
enfatizando que a crise não atinge apenas um ou outro produtor, mas toda a
cadeia produtiva.
O parlamentar também reforçou a importância de
mobilização regional e articulação junto aos deputados estaduais para garantir
o avanço da proposta na Assembleia Legislativa, defendendo que o Rio Grande do
Sul adote medidas firmes para proteger sua produção.
A vereadora Sandra Catarina Santin Dalberto, que atua
no transporte de leite junto com seu esposo, também manifestou preocupação com
o cenário atual. Ela destacou que o produtor está regredindo economicamente e
que a atividade vem se tornando inviável. “Precisamos unir todos os municípios
para aprovar essa lei. O produtor de leite está regredindo a cada dia com a
inviabilização econômica da atividade”, afirmou.
A moção ressalta que a defesa do produtor rural, a
proteção do consumidor e a garantia de mercado justo são princípios essenciais
para a sustentabilidade econômica e social do Estado. Entre os objetivos
destacados estão a proteção dos produtores locais, a garantia de informações
claras ao consumidor, o restabelecimento da concorrência leal no mercado
leiteiro e o fortalecimento de um setor estratégico para a economia gaúcha.
Com a aprovação, a Moção de Apoio será encaminhada à
Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa do Rio Grande do
Sul, aos deputados estaduais e às autoridades competentes, reafirmando o
posicionamento do Legislativo de Putinga em defesa do setor leiteiro e do
desenvolvimento regional.