Projetos
do Executivo que revisam alíquotas, criam descontos e redefinem o perímetro
urbano ficaram em estudo após solicitação do vereador Josmairo Maróstica;
comunidade teme que propostas não entrem em vigor no próximo ano
Dois importantes Projetos
de Lei do Poder Executivo, que tratam da revisão do IPTU e da redefinição do perímetro urbano de Putinga,
ficaram em estudo na Câmara de Vereadores após pedido de vista apresentado pelo vereador Josmairo Luis Maróstica
durante a sessão ordinária. A situação gerou preocupação entre a comunidade,
especialmente pelo risco de que, caso os projetos não sejam aprovados até o
final do ano, as mudanças propostas não
entrem em vigor em 2026, mantendo a atual forma de cobrança do
imposto.
O Projeto de Lei
Executivo nº 141/2025 propõe alterações na Lei Municipal nº
2.397/2022, que modifica o Código Tributário Municipal (Lei nº 1.274/2003). A
proposta prevê a adequação das alíquotas
de cálculo do IPTU, a instituição
de descontos ambientais e urbanísticos, a criação do fator de localização viária, além de outras
providências. A matéria foi debatida em plenário, com manifestações dos
vereadores Josmairo Maróstica, Everton
Graffitti e Sandra Catarina Santin Dalberto.
Ao se manifestar, o vereador Josmairo Maróstica solicitou vistas ao projeto,
justificando que a Câmara, em gestões anteriores, enfrentou forte repercussão
negativa após a aprovação apressada de mudanças no IPTU. Segundo ele, o objetivo
do pedido não é se posicionar contra a proposta, mas aprofundar a análise técnica para evitar erros
semelhantes aos do passado.
Em votação, o pedido
de vista ao Projeto nº 141/2025 foi aprovado por maioria, com voto
contrário da vereadora Sandra Catarina
Santin Dalberto.
Já o Projeto de
Lei Executivo nº 142/2025, que dispõe sobre a redefinição dos limites do perímetro urbano do município de
Putinga e do distrito de Xarqueadas, também teve pedido de vista solicitado pelo vereador Josmairo
Maróstica. Neste caso, o pedido foi aprovado por unanimidade.
Durante sua justificativa em plenário, Josmairo
afirmou que não participou da audiência pública sobre o tema e que pretende
buscar mais esclarecimentos técnicos junto à equipe responsável pela elaboração
dos projetos. “Não é que eu seja contra, mas quero votar com segurança. No
passado, votamos projetos semelhantes sem a devida compreensão e a população
acabou sentindo isso na pele”, destacou. O vereador também afirmou que pretende
estudar as propostas com mais profundidade antes da votação e defendeu que, se
necessário, o Executivo convoque sessão extraordinária para garantir a análise
ainda em 2025.
O vereador Everton
Graffitti reconheceu o direito de pedido de vista, mas alertou que os
projetos têm como objetivo reduzir
valores do IPTU, com impacto positivo para contribuintes que hoje
enfrentam cobranças elevadas. Segundo ele, há casos de terrenos que
registrariam reduções significativas, o que atende a uma demanda antiga da
população.
A vereadora Sandra
Catarina Santin Dalberto, por sua vez, posicionou-se contrária ao
pedido de vista, argumentando que o projeto foi amplamente estudado e explicado
pela equipe do Executivo. Para ela, a administração municipal não apresentaria
novamente uma proposta que pudesse gerar prejuízos à população. “Os custos diminuem
bastante e isso já é um alívio para o contribuinte”, afirmou.
Outros vereadores também se manifestaram, reforçando
que o pedido de vista é um direito
regimental, mas reconhecendo que o tema é sensível e aguardado pela
comunidade, especialmente diante das críticas registradas após mudanças
anteriores no IPTU.
Com os projetos em estudo, cresce a preocupação de
que, caso a votação não ocorra até o encerramento do ano legislativo, as
alterações propostas não tenham validade
para o próximo exercício, mantendo as atuais regras de cobrança do
imposto. A expectativa agora é de que os projetos retornem à pauta ainda em
2025, em sessão extraordinária, para que a Câmara possa deliberar sobre uma
matéria considerada estratégica para o município e para o bolso do contribuinte
putinguense.